LISBOA – Portugal confirmou, este domingo (8 de fevereiro), uma mudança de ciclo político no Palácio de Belém. António José Seguro, antigo Secretário-Geral do Partido Socialista (PS), venceu a segunda volta das eleições presidenciais de 2026, derrotando o candidato do Chega, André Ventura, com uma margem sólida.
De acordo com os dados quase finais da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, Seguro obteve cerca de 66% dos votos, contra os 33% de Ventura. Esta eleição marca a primeira vez em 40 anos que a escolha do Chefe de Estado português foi decidida numa segunda volta — algo que não acontecia desde o embate histórico entre Mário Soares e Freitas do Amaral, em 1986.
O regresso da esquerda a Belém
A vitória de António José Seguro representa o regresso de uma figura ligada ao PS à Presidência da República, após dez anos de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Seguro, de 63 anos, conseguiu reunir um apoio transversal que incluiu não apenas a base socialista e os partidos à esquerda, mas também figuras históricas do centro-direita que apelaram ao voto no candidato socialista para travar o avanço da extrema-direita.
No seu discurso de vitória, Seguro enfatizou a união nacional e o respeito pelas instituições:
"Serei o Presidente de todos os portugueses, sem exceção. Hoje, Portugal reafirmou o seu compromisso com a democracia, com a tolerância e com o humanismo europeu."
Uma campanha marcada pela polarização
Apesar do resultado expressivo de Seguro, a votação de André Ventura consolidou o Chega como uma força política com forte implantação nacional, tendo o candidato de direita reconhecido a derrota pouco depois do fecho das urnas, desejando ao vencedor "um excelente mandato".
As eleições foram também marcadas por condições meteorológicas adversas em várias zonas do país, o que não impediu uma participação cívica relevante, com a abstenção a situar-se abaixo dos valores registados em pleitos anteriores.
Próximos passos
António José Seguro tornar-se-á o sétimo Presidente da República da democracia portuguesa. A tomada de posse está agendada para o dia 9 de março, data em que Marcelo Rebelo de Sousa cessará funções após dois mandatos consecutivos. O Presidente eleito deverá ser recebido em Belém já nesta segunda-feira para iniciar o processo de transição.
