JORNALISTA QUESTIONA VIABILIDADE ECONÓMICA DE DISTRIBUIÇÃO MASSIVA DE CAPULANAS PELA PRIMEIRA-DAMA



MAPUTO – O jornalista Nádio Jaime Taimo levantou, recentemente, uma série de questionamentos públicos sobre a viabilidade logística e financeira de uma promessa atribuída à Primeira-Dama de Moçambique, que visa a distribuição massiva de capulanas a nível nacional. Através de uma análise baseada em dados demográficos e custos de mercado, o profissional classificou as metas como "inalcançáveis".

O Choque entre Metas e Estatísticas

​Na sua análise, Nádio Jaime cruzou os objetivos da iniciativa com os dados oficiais do Censo de 2017, que registava cerca de 14,5 milhões de mulheres no país. Projetando o crescimento populacional, o jornalista aponta que, até ao final de 2025, Moçambique terá entre 17,5 e 17,9 milhões de mulheres.

​A escala da promessa — que abrangeria a grande maioria da população feminina — é o principal ponto de discórdia. Para o jornalista, embora as ações sociais da "Mãe da Nação" tenham mérito e boa aceitação, o volume desta operação logística carece de realismo.

O Impacto de "Um Mil Milhão de Meticais"

​O ponto mais sensível da crítica reside no custo direto de aquisição. Nádio Jaime apresentou contas diretas para ilustrar o peso financeiro da proposta:

  • ​Estimando um custo unitário conservador de 100 meticais;
  • ​Apenas para a compra do material, seria necessário um investimento de 1.000.000.000 (um mil milhão) de meticais.
  • ​"Vamos lá ser sérios. Essa Mãe estava a vir bem com suas acções sociais... mas essa promessa tem metas inalcançáveis", afirmou o jornalista, destacando que o valor mencionado não inclui sequer os custos de transporte, armazenamento e pessoal para a distribuição em todo o território nacional.


    Debate sobre Prioridades Públicas

    ​A intervenção de Nádio Jaime acendeu o debate sobre a gestão de expectativas e recursos. Enquanto alguns setores defendem o valor simbólico e cultural da capulana, a análise do jornalista foca-se na eficiência do gasto público, sugerindo que um montante de mil milhões de meticais poderia ter impactos diferentes se aplicado em áreas sociais estruturantes.

    ​Até ao momento, não houve uma reação oficial às contas apresentadas pelo jornalista, mas a sua análise continua a gerar forte repercussão nas redes sociais, com muitos cidadãos a pedirem maior transparência sobre a origem e o destino dos fundos destinados a estas campanhas.

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