MAPUTO – A crise interna na Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) ganhou um novo capítulo de tensão com o posicionamento público dos ex-guerrilheiros do partido. Em causa está a recente suspensão de António Muchanga, figura de proeminência na organização, uma decisão que a ala dos antigos combatentes classifica como "injusta" e "divisiva".
Em declarações que ecoam o descontentamento nas bases, o grupo de ex-combatentes manifestou a sua total discordância com a sanção aplicada pelos órgãos internos. Segundo o coletivo, a suspensão de Muchanga não só carece de fundamento justo, como também "fere gravemente os princípios de justiça interna" que deveriam nortear a formação política.
Ameaça de contestação
O tom da mensagem é de ultimato. Os ex-guerrilheiros alertam que não pretendem ficar indiferentes e prometem "reagir" com ações de contestação caso a direção do partido, liderada por Ossufo Momade, não reveja a medida de imediato. Para este grupo, a manutenção da suspensão contribui para o aprofundamento das clivagens internas, num momento em que o partido enfrenta desafios cruciais no cenário político nacional.
Contexto de fragmentação
A suspensão de António Muchanga surge num período de visível fragilidade na coesão da Renamo, onde diferentes sensibilidades têm vindo a público questionar as decisões da atual liderança. A entrada em cena dos ex-guerrilheiros — historicamente o "pilar de aço" do partido — eleva o risco de uma ruptura mais profunda entre a ala política e a base veterana.
